Os segredos evolutivos do orgasmo feminino

Os segredos evolutivos do orgasmo feminino

O orgasmo é visto atualmente como sinônimo de uma relação sexual saudável, e tornou-se quase um fim em si mesmo. Do ponto de vista biológico, porém, o sexo é apenas um meio de assegurar a reprodução. O clímax feminino teria um papel biológico?

Por: Carlos Roberto Fonseca

 

Arte: Renato Alarcão.

O papel biológico do orgasmo masculino é claro para a maioria das pessoas. Como invariavelmente ele está ligado à ejaculação, não há qualquer dúvida a respeito de sua função reprodutiva. O orgasmo masculino seria assim uma espécie de ‘festa de comemoração’, favorecida pela seleção natural, ao longo da evolução, para incentivar e premiar a esperada transferência do esperma para o aparelho reprodutivo da fêmea.

O período fértil parece ser um segredo tão bem guardado que nem elas sabem

O papel biológico do orgasmo feminino, no entanto, é considerado um grande mistério. Para começar, não existe sincronia entre o momento do orgasmo feminino e a liberação dos óvulos pelos ovários.

Aliás, o período exato do ciclo menstrual em que as mulheres estão férteis parece ser um segredo tão bem guardado que, aparentemente, nem mesmo elas sabem. Muito menos seus parceiros!

Essa ‘ovulação oculta’ contrasta bastante com o ocorre com as fêmeas de muitos outros mamíferos, que anunciam aos quatro ventos seu estado fértil por meio de cores brilhantes, cheiros especiais e solicitações ostensivas.

Uma definição formal
O orgasmo feminino é uma sensação variada e aguda de prazer intenso, que cria um estado alterado de consciência. Começa, em geral, junto com contrações involuntárias e rítmicas da musculatura estriada pélvica cincunvaginal, acompanhadas, com frequência, de contração do útero e do ânus, e um relaxamento lento que desfaz (algumas vezes parcialmente) a vasoconstrição induzida pelo ato sexual, induzindo bem-estar e contentamento.

Em chimpanzés, por exemplo, as partes íntimas das fêmeas tornam-se irresistivelmente rosadas e elas exibem um comportamento altamente receptivo.

Entretanto, a norte-americana Elisabeth Anne Lloyd, filósofa da biologia, da Universidade de Indiana (Estados Unidos), acredita que não há mistério algum a ser desvendado. Em sua opinião, o orgasmo feminino não teria função biológica. Seria simplesmente um subproduto da evolução do orgasmo masculino, este com uma clara função biológica.

Esse tipo de explicação não adaptacionista é a mesma usada para explicar por que os homens têm mamilos, já que estes não têm função alguma no corpo masculino.

Uma hipótese atual propõe que os mamilos masculinos seriam subprodutos da evolução dos mamilos femininos, estes com clara função biológica, associados ao cuidado dos bebês.

Assim, tanto os mamilos nos homens quanto o orgasmo nas mulheres seriam uma espécie de ‘troça’ pregada pelos complicados mecanismos de herança genética dos caracteres.

Arte: Renato Alarcão.

Darwin e a teoria da seleção sexual

Muitos pesquisadores acreditam, porém, que o orgasmo feminino, em toda a sua complexidade fisiológica, morfológica e comportamental, só pode ser compreendido por meio da teoria da seleção sexual proposta pelo naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882).

Em seu famoso livro A origem do homem e a seleção sexual, de 1872, ele propôs que as disputas sexuais entre indivíduos da mesma espécie influenciam profundamente sua evolução. Segundo Darwin, essas disputas podem ser divididas em dois tipos principais: competição entre machos e escolha por parte das fêmeas.

Afinal, quem é o maior, mais forte, mais veloz, mais bonito e mais saudável entre os jovens da região?

A competição entre machos é a velha disputa que permite estabelecer uma hierarquia de dominância entre eles. Afinal, quem é o maior, mais forte, mais veloz, mais bonito e mais saudável entre os jovens da região? No mundo animal, muitas vezes essa hierarquia é decidida com a ajuda de dentes, garras e chifres, em lutas de final nem sempre feliz.

Na espécie humana, essa competição se manifesta de modo diferente em cada cultura. Em alguns casos, ela pode ser mais ‘animal’, enquanto em outros casos pode ser ritualizada e regrada, como acontece em campos de futebol, bares, pátios de escolas, ambientes de trabalho e, mesmo, no trânsito.

Na história humana, poder e sexo sempre estiveram associados. Antes da difusão de alguns conceitos democráticos e religiosos do Ocidente, os homens que ocupavam posições mais altas na hierarquia de suas sociedades conquistavam as maiores performances reprodutivas, ou seja, tinham mais filhos.

Sociedades em que apenas um homem atingiu um grau ilimitado de poder são particularmente ilustrativas. Todos os déspotas de grandes civilizações antigas (babilônica, egípcia, hindu, chinesa, asteca e inca) organizaram grandes haréns, contendo de centenas a milhares de esposas, concubinas ou escravas, às quais eles tinham acesso sexual exclusivo.

Como cada fêmea tem apenas algumas oportunidades reprodutivas, não é vantajoso desperdiçar essas poucas chances com qualquer um

Os únicos homens permitidos nesses haréns eram os eunucos, castrados ainda em idade precoce. Essa poligamia extrema, incomum na espécie humana, invariavelmente levou a extraordinárias hordas de descendentes.

A escolha pela fêmea é um mecanismo mais sutil. Como cada fêmea, ao longo da vida, tem apenas algumas oportunidades reprodutivas, não é vantajoso desperdiçar essas poucas chances com qualquer um. Assim, as fêmeas desenvolveram grande capacidade de observação.

Cada potencial parceiro é submetido a um cuidadoso exame, no qual suas potencialidades e defeitos são registrados e considerados. Aqueles que se saírem melhor nos testes terão grande chance de ser escolhidos como parceiros sexuais.

Quanto aos ‘reprovados’… Bem, quem sabe em uma próxima vez. Essa seleção criteriosa é justificada, já que, em função dos mecanismos de herança genética, as boas características do parceiro escolhido têm grande chance de aparecer em seus filhos. As más, também.

Para que serve o orgasmo feminino?

Diversas hipóteses adaptacionistas foram propostas para explicar o orgasmo feminino. O zoólogo inglês Desmond Morris, no clássico livro O macaco nu, de 1967, defende que a evolução da postura ereta em humanos teria dificultado a fertilização, já que nas fêmeas humanas atuais o orifício externo do colo uterino, por onde o esperma tem que penetrar, situa-se em posição superior da vagina.

O relaxamento muscular induziria a mulher a permanecer deitada após o ato sexual, aumentando as chances de fertilização

Segundo essa hipótese, o relaxamento muscular decorrente do orgasmo induziria a mulher a permanecer deitada após o ato sexual, aumentando suas chances de fertilização. Contudo, a ocorrência de orgasmo em diversos animais quadrúpedes sugere que essa hipótese não é correta.

Outra hipótese adaptacionista baseia-se no fato de que, como o bebê humano nasce mais indefeso do que os filhotes da maioria dos animais, sua sobrevivência só é assegurada pelos cuidados da mãe e do pai. Segundo essa proposta, os orgasmos – tanto o masculino quanto o feminino – seriam um incentivo prazeroso para selar a aliança do casal e favorecer a sobrevivência dos filhos.

O problema com essa hipótese é que o orgasmo, da mesma forma que pode ajudar a criar um vínculo de longo prazo em um casal, pode também ser o estímulo para que um dos parceiros resolva ‘pular a cerca’ e ter relações sexuais extraconjugais.

Carlos Roberto Fonseca
Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia,
Universidade Federal do Rio Grande do Norte

 

fonte cienciahoje

 

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Ser boazinha ou ser feliz???

Você quer ser boazinha ou quer ser feliz?

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Lembro-me como se fosse ontem: eu sentada no carro com meus pais, aos sete anos. Ao meu lado, no banco traseiro, estava a minha irmã mais nova.

O meu pai fumava na época e, todas as vezes que ele acendia o cigarro enquanto dirigia inevitavelmente um pouco das cinzas voavam na gente no banco de trás. Neste dia, era a minha irmã que estava sentada atrás dele. Ela sentiu as cinzas voando nela e reclamou para ele.

Com apenas cinco anos ela já sabia o que queria, e ela não queria cinzas de cigarro em suas roupas. O meu pai ficou bem bravo e disse uma frase que possivelmente norteou a minha vida por anos. Ele disse “Quando as cinzas caem nela, ela só sabe reclamar, que droga. A Andrea já não, nunca reclama de nada.”

Lembro que na época senti muito, muito orgulho de mim. Eu, uma boa menina, que não reclamava de nada, nem de cinzas de cigarros na roupas, nem de não ter o que queria, nem de ser maltratada vez ou outra. Que moça boazinha eu era! E desde aquele dia, naquele carro, eu mantive a minha promessa de ser boazinha, não reclamar de nada, de sempre agradar ao meu pai e ao resto do mundo.

Hoje eu vejo o quanto esta escolha, ainda que com sete anos, me custou a vida toda. Custou relacionamentos amorosos, de amizade e até profissionais. Custou um tanto de autoestima, um naco bem grande, na verdade, e uma porção de sapos engolidos. Custou noites de sonos pensando em como eu era e como eu gostaria de ser. Custou sonhos, muitos deles.

Ser boazinha é como uma profissão em tempo integral (tipo 24 horas mesmo). Exige que você repense sempre tudo o que você está fazendo ou pretende fazer. Você quer comer massa, mas o seu namorado quer uma carne sangrando e tudo bem, lá vamos nós. Mesmo que você passe dois dias depois disso passando mal e isso lhe traga pelo menos, 2 quilos na balança.

Ou então, você quer ser enfermeira na África, mas sua mãe sonhou um casamento dos sonhos com direito a violinos e muitos netos. E lá vamos nós, munidas da nossa mais rica versão da boazinha, fazer tudo como o mestre mandou.

A boazinha não dá espaço para a nossa verdadeira personalidade. Não se pode ser boazinha e autêntica ao mesmo tempo. A boazinha simplesmente segue as regras e é recompensada por isso como um pequeno cão que ganha um petisco. E é só isso mesmo, um petisco, que se ganha.

Você sonha e saliva com o prato principal, mas parece que todo o mundo consegue e você não. Você vê as pessoas realizando sonhos malucos que você jura para você mesma que não estava nem sonhando.

Vê sua amiga se separar, perder sete quilos e pular de pára-quedas e pensa “ela é doida, como assim largar um homem tão bom?” Vira uma invejosa de plantão. Repara na roupa de todo mundo, principalmente aquelas que ousam usar a saia mais curta e o decote mais profundo, com indignação. Vê as pessoas como inimigas que estão o tempo todo tentando te desafiar. E estão mesmo, meu amor! Porque o Universo está tentando jogar na sua cara que você está cercada por um amor irreal, uma máscara de amorosa e mãe de todos que não serve para você.

Lá dentro pode se esconder uma vadia, uma prostituta, uma nojenta daquelas bem metidas, uma perua que torra o dinheiro do marido em Nova York, uma mafiosa, uma escrava do sexo ou qualquer coisa que seja suficientemente subversivo. Ser subversiva. Ai que delícia, não é? Não é maravilhoso para uma boazinha pensar em ser uma boazuda? Não é fantástico pensar em morar em Paris por seis meses, mesmo que você vá com a roupa do corpo e 29 euros emprestados? Não é legal poder ser aquela que reclama mesmo quando algo a incomoda e que nunca mais vai comer o prato errado no restaurante só pra não reclamar com o coitado do garçom?

Eu nunca gostei das cinzas na minha roupa. Na verdade, nem do cheiro fedido de fumaça que empesteava a casa. Mas eu não falava nada porque precisava ser perfeita. E esta perfeição me custou muito mais coisas do que eu poderia pagar. Agora, depois de alguns anos nessa vida, decidi que serei ruim, bem má! Daquelas que faz só o quer e o que pensa e que não quer agradar absolutamente ninguém que não seja a si mesma.

Nem o pai, nem a mãe, nem o estado, nem o imposto de renda, nem as lojas de departamento, nem sistema nenhum que eu não tenha inventado. Aliás, estou inventando o sistema eu de ser feliz e os outros que se virem com suas frustrações e medos em bons consultórios de terapeutas. E que nem apareçam no meu, porque eu não tenho paciência com boazinhas demais!

Sejamos mais autênticas sem medo. Porque a felicidade está em pequenos sonhos realizados, em pequenos pudins comidos no meio da dieta, em pequenas farras no shopping mesmo com o limite estourando, em romper com o que o mundo acha ideal e perfeito.

Até o dia em que você percebe que quer ser boazinha para você mesma e possa fazer suas escolhas com um verdadeiro e autêntico amor por você. Amar a si mesma, mesmo fora de todas as regras. A subversão, muitas vezes, é o tal prato principal.

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fonte Andrea Pavlovitsch – Via: Horóscopo Virtual

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CASAR E MORAR JUNTO (Leia com atenção)

Casar e morar junto são duas coisas completamente diferentes. Não tem nada a ver com seu status no cartório. Tem a ver com entrega. Você pode casar com todas as honras. Dar uma festa linda. Gastar os tubos na Lua de Mel. Se mudar com o marido para um apartamento lindo. pronto. decorado. cheio de almofadas em cima da cama… Vocês podem ter se casado – mas vão demorar muito pra saber o que é morar junto. Acho que existem casais que se casam com pompas, e nunca talvez tenham realmente morado juntos. Morar junto é saber dividir. Saber cobrar. Saber ceder. Saber doar. Morar junto é dividir as contas e as almas. Morar junto é ter um pilha de louça pra lavar, depois de um dia terrível de 10 horas de trabalho. E o outro cantar com você para que, em um karaokê com detergente, o trabalho se torne divertido. Morar junto é ter que assistir Homem Aranha no Telecine Action, e se esforçar para achar legal. Morar junto é tomar banho junto.Transformar o chuveiro em uma cachoeira. (e o banheiro em um charco) Morar junto é ouvir onde dói no outro. Do que ele sente medo. Onde ele é criança. O que o deixa frágil. Morar junto é poder chorar sem parar. E ser ouvida. E cuidada. Mas é também rir. E achar graça em alguma coisa, quando o outro está pra baixo. Morar junto é fazer contabilidade de frustrações, e saber quando não colocar na conta do outro. Morar junto é demorar para levantar. Morar junto não precisa de uma casa, e sim de um espaço. Quem mora junto geralmente é solidário. Casar não. Qualquer um casa. Pra casar basta assinatura e champanhe. Casar leva umas horas. Morar junto leva tempo. O tempo todo. Quando moramos juntos vemos o cabelo dele crescer e ela cortar uma franja. Quando moramos juntos viramos adultos aos pouquinhos, dando um adeus doído ao adolescente que éramos. Quando moramos junto mudamos junto. E o outro vira um outro diferente com os anos. E nós vamos aprendendo a amar aquela nova pessoa, todo dia. Até o dia que, talvez, deixemos de morar juntos.

 

Gabriela Lima